sábado

Comer carne é cultural


Comer carne é culturalSujeitar os animais a situações incrivelmente horrorosas usando como justificativas fatores “biológicos”, “evolutivos”, e “nutricionais” é tão válido cientificamente quanto os argumentos que justificaram por séculos (e ainda persistem em alguns lugares) a escravidão dos negros, a perseguição aos judeus, a discriminação das mulheres, a proibição religiosa da doação de órgãos, medula, transfusão de sangue, métodos contraceptivos, etc...

Comer carne é cultural. Dá ao ser humano, que antes era limitado ao branco, europeu, rico (tudo no masculino), a sensação de controlar as outras espécies que compartilham a vida neste planeta. A mesma sensação que sustenta os fanatismos religiosos, a opressão de regimes absolutistas e surtos de histeria coletiva que acabam em manchetes sangrentas e escandalosas no nosso dia-a-dia de banalização moral.

O corpo humano foi desenvolvido para alimentar-se de praticamente tudo que existe no planeta. Isso é adaptação. Significa que se um ser humano precisar matar e alimentar-se de outro para sobreviver, será possível. Possível, não necessário. Em certas culturas isso é cotidiano. Tem sentido próprio e reconhece que a fisiologia humana é muito mais adaptada a dietas vegetarianas (faça a comparação entre as mandíbulas, intestinos, PH estomacal, mãos, faro, glândulas digestoras e hábitos sociais de um leão e de um cavalo).

Comer carne não se limita a comer carne. Seria como concordar com as profecias bíblicas que condenam 90% dos costumes ocidentais e sair por aí matando em nome de Deus, dizendo que não se trata de assassinato, mas de “fé”.

Aliás, deixar de comer carne também é cultural. Em grande parte dos lugares onde não existe o hábito de alimentar-se de animais mortos (ou vivos), existe um surpreendente teor de consciência ecológica e respeito à vida. Em outros lugares, como é o caso do Brasil (o maior exportador de carne de todo o mundo), vai ser difícil alcançar esse nível, mas ele não é necessário, porque a outra parte de não comer carne trata-se mais de inteligência do que de cultura.

Enquanto ficamos por aí debatendo sobre a reforma agrária, as invasões do MST, o latifundiarismo, a miséria, a fome, a subnutrição, a devastação das florestas, as queimadas, a concentração de renda, a capitalização internacional de riquezas e o descaso com o meio ambiente, esquecemos de que o consumo de carne está por trás disso.

A população bovina no Brasil (cerca de 200mi) é maior que a população humana (cerca de 190mi), isso sem contar as aves, suínos e caprinos “cultivados” para corte. Os cereais usados para alimentar este rebanho colossal seria mais do que suficiente para alimentar a população humana da América Latina. Os pastos usados tanto na criação de gado de corte quanto no cultivo agrícola para alimentá-los seriam mais do que o necessário para garantir que todo brasileiro tivesse um pedaço considerável de terra para morar – ou continuariam a exercer seu vital papel no equilíbrio ambiental do planeta como florestas tropicais.

Da água doce que se encontra disponível para uso do ser humano no planeta (menos de 0,03% da água superficial da Terra), 80% é usada para fins agrícolas. Escovar os dentes com a torneira aberta não é nada, nada mesmo, comparado a comer carne.

Comer carne é cultural. E reflete a cultura de um povo que pensa a curto prazo, usando indiscriminadamente recursos naturais, condenando o futuro e falsificando consciência sustentável, revelando-se completamente egoísta, alheio às necessidades das pessoas ao redor.

A violência é cultural. Animais que se alimentam de carne são violentos, territorialistas, hostis ao convívio próximo de outras espécies. Ou dominam ou são dominados. A sobrevivência dos animais carnívoros depende disso. A sobrevivência do ser humano não!

Como esperar que um povo compreenda o absurdo de condenar milhões de vidas inocentes à dor e sofrimento? É cultural. Soa cármico. Em algum lugar deve estar escrito, sob assinatura de forças divinas, que quem não tem dinheiro (e isso inclui animais humanos e não-humanos) nasceu fadado e condenado à gula mercenária desse estranho animal que mata e deixa morrer por prazer.

Por Luis Felipe Valle

Fonte: Instituto Nina Rosa - Abril de 2010

21 motivos para ser vegetariano


21 Motivos Para Ser Vegetariano
O vegetarianismo é a tendência que mais cresce no mundo desenvolvido. Eis 21 motivos porque você deve pensar em se tornar vegetariano também:

1 - Evitar carne é um dos melhores e mais simples caminhos para cortar a ingestão de gorduras. A criação moderna de animais provoca artificialmente a engorda para obter mais lucros. Ingerir gordura animal aumenta suas chances de ter um ataque cardíaco ou desenvolver câncer.

2 - A cada minuto todos os dias da semana, milhares de animais são assassinados em abatedouros. Muitos sangram vivos até morrer. Dor e sofrimento são comuns. Só nos EUA, 500.000 (meio milhão) de animais são mortos a cada hora!

3 - Há milhões de casos de envenenamento por comida relatados a cada ano. A vasta maioria é causada pela ingestão de carne.

4 - A carne não contém absolutamente nada de proteínas, vitaminas ou minerais que o corpo humano não possa obter perfeitamente de uma dieta vegetariana.

5 - Os países africanos - onde milhões morrem de fome - exportam grãos para o primeiro mundo para engordar animais que vão parar na mesa de jantar das nações ricas.

6 - "Carne" pode incluir rabo, cabeça, pés, reto e a coluna vertebral de um animal.

7 - Uma salsicha pode conter pedaços de intestino. Como alguém pode estar certo que os intestinos estavam vazios quando utilizados? Você realmente quer comer o conteúdo do intestino de um porco?

8 - Se comêssemos as plantas que cultivamos ao invés de alimentar animais para corte, o déficit mundial de alimentos desapareceria da noite para o dia. Lembre-se que 100 acres de terra produz carne suficiente para 20 pessoas, grãos suficientes para alimentar 240 pessoas!

9 - Todos os dias dezenas de milhões de pintinhos de apenas 1 dia de vida são mortos apenas por que não podem botar ovos. Não há regras para determinar como ocorre a matança. Alguns são moídos vivos ou sufocados até a morte. Muitos são utilizados como fertilizantes ou como ração para alimentar outros animais.

10 - Os animais que morrem para a sua mesa de jantar morrem sozinhos, em pânico e terror, em profunda depressão e em meio a grande dor. A matança é impiedosa e desumana.

11 - É muito mais fácil ser e manter-se elegante quando se é vegetariano.

12 - Metade das florestas tropicais do mundo foram destruídas para fazer pasto para criar gado para fazer hambúrguer. Cerca de 1000 espécies são extintas por ano devido à destruição das florestas tropicais.

13 - Todos os anos 400 toneladas de grãos alimentam animais de corte - assim os ricos do mundo podem comer carne. Ao mesmo tempo, 500 milhões de pessoas nos países pobres morrem de fome. A cada 6 segundos alguém morre de fome por que pessoas no Ocidente estão comendo carne. Cerca de 60 milhões de pessoas morrem de fome por ano. Todas essas vidas poderiam ser salvas, porque estas pessoas poderiam estar comendo os grãos usados para alimentar animais de corte se os norte-americanos comessem 10% a menos de carne.

14 - As reservas de água fresca do mundo estão sendo contaminadas pela criação de gado de corte. E os produtores de carne são os maiores poluidores das águas. Se a indústria de carne no EUA não fosse subsidiada em seu enorme consumo de água pelo governo, algumas gramas de hambúrguer custariam US$ 35.

15 - Se você come carne, está consumindo hormônios que foram administrados aos animais. Ninguém sabe os efeitos que estes hormônios causam à saúde. Em alguns testes, um em cada 4 hambúrgueres contém hormônios de crescimento originalmente administrados ao gado.

16 - As seguintes doenças são comuns em comedores de carne: anemias, apendicite, artrite, câncer de mama, câncer de cólon, câncer de próstata, prisão de ventre, diabetes, pedras na vesícula, gota, pressão alta, indigestão, obesidade, varizes. Vegetarianos há longo tempo visitam hospitais 22% menos que carnívoros e por pouco tempo. Vegetarianos têm 20% menos colesterol que carnívoros e isso reduz consideravelmente ataques cardíacos e câncer .

17 - Alguns produtores usam calmantes para manter os animais calmos. Usam antibióticos para evitar ou combater infecções. Quando você come carne, está ingerindo estas drogas. Na América do Norte 55% de todos os antibióticos são dados a animais de corte, e a porcentagem de infecções por bactérias resistentes a penicilina avançou de 13% em 1960 para 91% em 1998.

18 - Num período de vida um comedor de carne médio terá consumido 36 porcos, 36 ovelhas e 750 galinhas e perus. Você deseja tanta carnificina em sua consciência!?

19 - Os animais sofrem dor e medo como nós. Passam as últimas horas de sua vida trancados em um caminhão, encerrados com centenas de outros animais, igualmente apavorados, e depois são empurrados para um corredor da morte ensopado de sangue. Quem come carne sustenta o modo como os animais são tratados.

20 - Animais com um ano de vida são frequentemente muito mais racionais - e capazes de pensamento lógico do que bebês humanos de 6 semanas. Porcos e ovelhas são muito mais inteligentes do que criancinhas. Comer esses animais é um ato bárbaro.

21 - Vegetarianos são mais aptos fisicamente do que comedores de carne. Muitos dos mais bem-sucedidos atletas do mundo são vegetarianos.

(Texto extraído do livro "Food For Thought" - Dr. Vernon Coleman)

Fonte: www.vegetarianismo.com.br

Livre Arbítrio X Animais, por Simone Nardi

O homem é um Deus para os animais, como outrora os Espíritos foram deuses para os homens. Allan Kardec

Diariamente recebemos mensagens da espiritualidade sobre os mais diversos assuntos do nosso cotidiano. Pequenas regras de como agir bem para melhorarmos a nós mesmos e, conseqüentemente, o mundo ao nosso redor.

São mensagens de como nos controlarmos diante da raiva, da tristeza e da perda de um ente querido. De como agirmos diante de uma situação de penúria e lamento. E essas orientações espirituais circulam ainda mais em determinadas datas comemorativas, nos mostrando como deveríamos ou não agir, já que temos o direito do Livre Arbítrio para nos guiar a consciência.

No Natal orientam-nos a respeitar o Mestre Jesus, sempre esquecido nas opulentas festas familiares. Na Páscoa nos convidam a relembrar com carinho do Mestre crucificado. No Carnaval nos convidam a nos afastarmos da festa e tomar cuidado com os excessos ao qual ele pode levar .

A grande maioria dos espíritas segue todas as orientações da espiritualidade, e há um repasse gigantesco de textos sobre tais assuntos pelas redes de Internet, o que não acontece, infelizmente, com outros tipos de mensagens que às vezes sequer são lidas e, freqüentemente deletadas, tanto dos e-mails, quanto da mente das pessoas.

Essas mensagens são aquelas que ficam a beira do caminho, ignoradas pela mesma grande maioria que repassou as mensagens sobre o Natal, o Carnaval e a Páscoa, às vezes até são lidas, mas não são seguidas com a desculpa do "Livre Arbítrio". Só nos esquecemos que nosso mau uso do "Livre Arbítrio" pode acabar nos prejudicando e ainda pior, prejudicando o mundo que nos cerca.

Se conseguimos ler uma mensagem de Emmanuel sobre os males que o Carnaval pode trazer a nossa evolução, não ignorá-la e ainda por cima, disseminá-la entre amigos, por que conseguimos ignorar esse mesmo Emmanuel, quando ele se refere aos malefícios da carne, alegando que nossa evolução está atrasada devido aos nossos, nada misericordiosos, hábitos alimentares?

Em sua obra "O Consolador", Emmanuel na questão 129, questionado se é um erro o homem se alimentar dos animais, ele responde:

"A ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes conseqüências, do qual derivaram numerosos vícios da nutrição humana. É de lastimar semelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos." 

 
Livre Arbítrio?
 
Sim, podemos sempre nos valer dele e acusá-lo por nossas necessidades físicas particulares, só não podemos esquecer que usando-o a nosso favor, estamos contribuindo diretamente com a matança indiscriminada de vidas que foram , como nós, criadas por Deus para evoluírem sempre, e somos responsáveis por impedir esse progresso, retardando-o de forma brutal. Enquanto dizemos a nós mesmos que é preferível comermos nosso bifinho, ao invés de falarmos mal de alguém ou de nos atormentarmos pela falta dele, deveríamos nos lembrar do que acontece dentro dos matadouros e assim pesar se a falta de nosso bife, "nosso tormento", vale mesmo aquela vida que sofreu e perdeu momentos preciosos de evolução.

Se conseguimos ler uma mensagem de André Luiz sobre o Natal, e nos compadecermos dos desabrigados, dos órfãos e dos famintos, como conseguimos ignorá-lo quando ele nos narra em detalhes, todo o sofrimento pelos quais os animais passam diante da morte brutal que os levará até nossas mesas natalinas?

"A pretexto de buscar recursos protéicos, exterminamos frangos e carneiros, leitões e cabritos incontáveis. Sugamos os tecidos musculares, roemos os ossos. Não contentes em matar os pobres seres que nos pedem roteiros de progresso e valores educativos, para melhor atenderem a Obra do Pai, dilatamos os requintes da exploração milenária e infligimos a muitos deles determinadas moléstias para que nos sirvam melhor ao paladar. O suíno comum é enclausurado em regime de ceva, para adquirir banhas doentias e abundantes. Gansos são postos nas engordadeiras para que hipertrofiem o fígado, de modo a obtermos pastas substanciosas destinadas a quitutes famosos. Em nada nos dói o quadro comovente das vacas-mãe levadas ao matadouro, para que nossas panelas transpirem agradavelmente, esquecidos de que tempos virão para a Humanidade terrestre em que o estábulo, como o lar, será também sagrado e que em todos os setores da Criação Deus, nosso Pai, colocou os superiores e os inferiores para o trabalho de evolução, através da colaboração e do amor, da administração e da obediência. (Cap. 4págs. 41 e 42- Livro Missionários Da Luz)
 

Livre Arbítrio?
Temos que considerar, embora alguns discordem, que nos é bem mais fácil nos valermos da consciência moral quando nos propomos a realizar ações ou nos afastar de algo que não gostamos: Carnaval, futebol, reveillon. Sempre fica mais fácil nos afastarmos daquilo que não apreciamos. Já, quando gostamos de determinadas coisas, sempre nos valemos de nosso "Livre Arbítrio", afinal, nos banquetearmos dos animais é algo que está encravado em nossas raízes, só nos esquecemos que esses mesmos animais, como Centelhas Divinas, também seguem conosco na trilha da evolução.

Dezenas de vozes se erguem para amenizar o tema quando ele trata da alimentação animal, alegando que podemos comer carne porque ainda necessitamos, porque alguns encaram como balelas as palavras de Irmão X sobre os cemitérios na barriga, porque o próprio Chico comia carne, porque ainda somos carne.E encaram com tremenda seriedade outras mensagens desse mesmo espírito sobre Natal, sobre tristeza, sobre dor. Quantas vezes já ouvi de grandes palestrantes a frase: "Comer carne não faz mal nenhum".
 
Não faz mal nenhum a nós ou aos animais?
 
Somos egoístas a esse ponto de não nos importamos com eles, só nos importando com as "Nossas" fraquezas e com aquilo que só a nós, poderá ou não fazer mal?Será isso que o Espiritismo nos ensina?

Às vezes me questiono por quanto tempo ainda, nós usaremos da desculpa do "Livre Arbítrio" que Deus nos concedeu, para prejudicarmos estes espíritos, só porque estão num grau bem mais abaixo daquele que já atingimos.

Claro que devemos respeitar o tempo de despertar de cada um e seu Livre Arbítrio, mas enquanto dormimos outros sofrem e, se somos capazes de estender as mãos a um espírito sofredor, porque não somos capazes de fazer isso a todos os que sofrem?

Tudo o que vive é teu próximo, afirmou Gandhi, e Jesus já havia dito antes, Amai ao próximo como a ti mesmo; próximo em espírito, não importa se o consideramos superior ou inferior, somos capazes de respeitar os anjos por serem superiores, no entanto não conseguimos respeitar aqueles que julgamos inferiores.

Acredito que , como espíritas, temos que os esforçar mais para ouvirmos e compreendermos as mensagens dos espíritos, e usar de sua sabedoria não apenas no Carnaval ou no Natal, mas diariamente, a começar pela violência contida em nossas mesas. Não existem vampiros apenas nos bailes de Carnaval, existem vampiros também dentro dos frigoríficos. Não existe tristeza e dor somente no Natal, não somente os órfãos e desabrigados padecem, mas existe dor e sofrimento diariamente dentro dos abatedouros.

Se quisermos nos melhorar e melhorar o Mundo, devemos aprender a ouvir com o coração, não apenas aquelas mensagens que nos são mais "fáceis" de serem seguidas, mas aquelas mais difíceis, aquelas em que temos que quebrar verdadeiros muros culturais para conseguirmos realmente, fazer o bem.

Será que somos capazes de sermos realmente abnegados, ou fazemos apenas o necessário para nos sentirmos bem?


Simone De Nardi , nascida em São Paulo. É aux. de enfermagem do trabalho, escreve livros, poemas, contos e pequenas peças espíritas nas horas vagas. Junto com alguns amigos formou um grupo de voluntários que sai nas noites de domingo para distribuir amor, agasalhos e alimentos aos moradores de rua. Mantém um grupo de discussão e um blog sobre a Doutrina , bem como um blog voltado a consciência e preservação do meio ambiente e amor aos animais.

Fonte: Feal

Impactos sobre o meio ambiente do uso de animais para a alimentação, por Marcos Tozzi



Não há como fechar os olhos para o fato de que cada hambúrguer, nugget, salsicha e lata de atum provoca um impacto e um respectivo custo ambiental que aproximam a aventura do homem na Terra da bancarrota ecológica.

No Brasil, em média, um quilo de carne bovina é responsável por:
  • 10 mil metros quadrados de floresta desmatada
  • consumo de 15 mil litros de água doce limpa
  • emissão de dióxido de carbono diretamente na atmosfera
  • emissão de metano na atmosfera
  • despejo de boro, fósforo, mercúrio, bromo, chumbo, arsênico, cloro entre outros elementos tóxicos provenientes de fertilizantes e defensivos agrícolas, que se infiltram no solo e atingem os lençóis freáticos
  • descarte de efluentes como sangue, urina, gorduras, vísceras, fezes,ossos e outros, que acabam chegando aos rios e oceanos depois de contaminarem solo e aqüíferos subterrâneos
  • consumo de energia elétrica
  • consumo de combustíveis fósseis
  • despejo no meio ambiente de antibióticos, hormônios, analgésicos, bactericidas, inseticidas, fungicidas, vacinas e outros fármacos, via urina, fezes, sangue e vísceras, que inevitavelmente atingem os lençóis freáticos
  • liberação de óxido nitroso, cerca de 300 vezes mais prejudicial para a atmosfera do que o CO2
  • pesados encargos para os cofres públicos com tratamentos de saúde decorrentes da contaminação gerada pela pecuária
  • gastos do poder público com infra-estrutura e saneamento necessário para equilibrar os danos causados pela pecuária
  • custo dos incentivos fiscais e subsídios concedidos pelos governos estaduais e federal para a atividade pecuária.
Tudo isso está presente em cada quilograma de alcatra, maminha, picanha e outros cortes, consumidos aos milhões no menu diário e nos churrascos domingueiros. E nada disso é computado no balcão do açougue.

É importante observar que estes dados relativos à produção de 1 kg de carne de boi não são estimativas alarmistas; são constatações alarmantes de estudos científicos e dados oficiais. A criação de suínos, caprinos, bubalinos e ovelinos geram números semelhantes. Ou seja, a produção industrial de carnes é uma das fontes mais importantes de poluição do meio ambiente: exige áreas gigantescas, consome enorme volume de recursos naturais e energéticos, onera sensivelmente os cofres públicos, além de gerar bilhões de toneladas de resíduos tóxicos sólidos, líquidos e gasosos, que contaminam o solo, água, ar, plantas,
animais e pessoas.
 
A legislação brasileira é rigorosa em relação à poluição industrial. Porém, não há fiscalização para o setor pecuário: a aplicação das leis ambientais tornaria praticamente inviável a atividade. Se o governo brasileiro retirasse incentivos e subsídios, cobrasse impostos integrais e obrigasse a internalizar os custos energéticos, o uso de recursos naturais e os danos ambientais, cada quilo de alcatra custaria uma pequena fortuna!

Você sabia que...
  • A pecuária foi a principal causa da devastação da mata atlântica, da caatinga, do cerrado e agora da Amazônia?
  • Que 1 Kg de carne bovina é responsável por 10 mil metros de floresta desmatada?e responsável pelo consumo de 15 mil litros de água doce limpa?
  • Que o gado é responsável por 18% da emissão de gases capazes de destruir a camada de ozônio acelerando o aquecimento global?
  • Enquanto pessoas passam necessidade, 70% da soja plantada no Brasil é para alimentação de gado?
  • Que bilhões de animais são mortos de maneira cruel por dia por nossa vontade?
  • Que a quantidade de proteína necessária ao corpo por dia é facilmente adquirida nas leguminosas, castanhas e frutas?
  • Que para cada Kg de carne são necessários 15.000 litros de água e para cada Kg de cereal 1.300 litros?
Apocalipse Marinho

A vida nos oceanos está por um triz. Durante séculos, o homem pescou toneladas anuais de peixes e outros frutos do mar e os estoques iam se recompondo naturalmente. Desde os anos 1950, o cenário mudou de figura com o uso de técnicas novas e "eficientes". A pesca comercial se incrementou tecnologicamente e resultou no "overfishing" - pesca em excesso, em inglês -, e está devastando os oceanos num ritmo que promete colapso total em menos de quatro décadas. É bom lembrar que, como sempre, a atividade humana predatória nos oceanos provoca danos que afetam todas as pessoas, mas só "beneficia" poucos privilegiados endinheirados. Veja por quê:
  1. Os principais mercados consumidores de pescados são Japão e Estados Unidos. Para se ter uma idéia, no Japão, um único exemplar de atum-azul chega a valer mais de 100 mil reais! E os últimos remanescentes dessa espécie magnífica são comercializados diariamente, às centenas, naquele país.
  2. Espécies marinhas que, há menos de 30 anos, sequer eram conhecidas pela ciência, têm sido exploradas exaustivamente "graças" às inovações tecnológicas da indústria pesqueira. São peixes que habitam oceanos profundos, a mais de mil metros sob a superfície, e sobre os quais ainda pouco se sabe, a não ser que correm risco iminente de extinção. Peixes como o olho-de-vidro laranja - espécie que vive até 150 anos
    sob condições naturais! -, comuns em regiões abissais da Austrália e Nova Zelândia, são arrastados aos milhões por redes de profundidade e chegam aos consumidores de todo o mundo com preço elevado. Como são pequeninos, pode-se devorar em poucas dentadas um lindo animal de 80 ou 100 anos...
  3. As fazendas de aqüicultura que mais devastam o meio ambiente marinho e os biomas litorâneos são as de salmão e camarão. Ora, quem consome salmão e camarão? Como produzir 1 kg de salmão exige 6,2 kg de pescado, para alimentar esses peixes caros as fazendas processam milhares de toneladas diárias de peixes de pouco valor comercial, como a sardinha. Enquanto isso, as populações desses peixinhos, que são um elo importante da cadeia alimentar marinha, vêm declinando com velocidade assustadora. Mais de um terço das capturas pesqueiras atuais vira comida ração para animais de cativeiro, e a proporção só tende a aumentar com a formação de novas fazendas.
  • Até 2006, 29% das espécies de peixes e frutos do mar entraram em colapso. Isto é, o rendimento da pesca caiu mais de 90%.
  • Se o consumo não diminuir, a população de praticamente todos os peixes e frutos do mar entrará em colapso por volta de 2048
Basta perguntar para um pescador antigo qual é a situação dos peixes hoje em relação a antigamente.

O QUE VOCÊ PODE FAZER? 

No plano pessoal, mudar os padrões de consumo. A dieta carnívora, sobretudo em larga escala, é comprovadamente insustentável. Ao eliminar o consumo de carne você diminui, ao mesmo tempo, o desperdício de água, de proteínas vegetais, o desmatamento, a desertificação, a extinção de espécies, a destruição de habitats e até de biomas inteiros. De quebra, ainda ajuda a diminuir o rebanho bovino e sua emissão de metano - poderoso agente do efeito estufa.

Tomado isoladamente, o gesto individual não tem resultado objetivo mensurável, mas quando é uma postura adotada por grande número de pessoas, influi objetivamente nas condições do planeta.

FONTES DA PESQUISA
No Brasil: Cetesb; IBGE; Instituto Akatu; Instituto Cepa; Instituto Nina Rosa; Instituto Peabiru; Instituto de Pesquisas Amazônicas (INPA); Instituto Socioambiental; ONG Repórter Brasil; Relatório Unesco para o Fórum Mundial da Água; Sabesp; WWF Brasil. No exterior: Conservation International; David Suzuki Foundation; Environmental Justice Foundation; FAO/ONU - Food and Agriculture Organization of the United Nations; Federação do Salmão-do-Atlântico; Greenpeace; Oxfam International; Relatório Our Food Our World - The Realities of an Animal-Based Diet, da Earth Save Foundation;Worldwatch Institute. Documentário: Deep Trouble, da BBC. Livros: Amigo Animal: Reflexões interdisciplinares sobre educação e meio ambiente, ética, dieta, saúde, paradigmas, de Paula Brügger; Ecologia: Cuidar da Vida e da Integridade da Criação, do CESEP;  Fundamentos do Vegetarianismo, de Marly Winckler. Artigo: Você já comeu a Amazônia hoje?, de João Meireles Filho.
Dia 25 de Novembro - Dia Mundial Sem Carne