sábado

Impactos sobre o meio ambiente do uso de animais para a alimentação, por Marcos Tozzi



Não há como fechar os olhos para o fato de que cada hambúrguer, nugget, salsicha e lata de atum provoca um impacto e um respectivo custo ambiental que aproximam a aventura do homem na Terra da bancarrota ecológica.

No Brasil, em média, um quilo de carne bovina é responsável por:
  • 10 mil metros quadrados de floresta desmatada
  • consumo de 15 mil litros de água doce limpa
  • emissão de dióxido de carbono diretamente na atmosfera
  • emissão de metano na atmosfera
  • despejo de boro, fósforo, mercúrio, bromo, chumbo, arsênico, cloro entre outros elementos tóxicos provenientes de fertilizantes e defensivos agrícolas, que se infiltram no solo e atingem os lençóis freáticos
  • descarte de efluentes como sangue, urina, gorduras, vísceras, fezes,ossos e outros, que acabam chegando aos rios e oceanos depois de contaminarem solo e aqüíferos subterrâneos
  • consumo de energia elétrica
  • consumo de combustíveis fósseis
  • despejo no meio ambiente de antibióticos, hormônios, analgésicos, bactericidas, inseticidas, fungicidas, vacinas e outros fármacos, via urina, fezes, sangue e vísceras, que inevitavelmente atingem os lençóis freáticos
  • liberação de óxido nitroso, cerca de 300 vezes mais prejudicial para a atmosfera do que o CO2
  • pesados encargos para os cofres públicos com tratamentos de saúde decorrentes da contaminação gerada pela pecuária
  • gastos do poder público com infra-estrutura e saneamento necessário para equilibrar os danos causados pela pecuária
  • custo dos incentivos fiscais e subsídios concedidos pelos governos estaduais e federal para a atividade pecuária.
Tudo isso está presente em cada quilograma de alcatra, maminha, picanha e outros cortes, consumidos aos milhões no menu diário e nos churrascos domingueiros. E nada disso é computado no balcão do açougue.

É importante observar que estes dados relativos à produção de 1 kg de carne de boi não são estimativas alarmistas; são constatações alarmantes de estudos científicos e dados oficiais. A criação de suínos, caprinos, bubalinos e ovelinos geram números semelhantes. Ou seja, a produção industrial de carnes é uma das fontes mais importantes de poluição do meio ambiente: exige áreas gigantescas, consome enorme volume de recursos naturais e energéticos, onera sensivelmente os cofres públicos, além de gerar bilhões de toneladas de resíduos tóxicos sólidos, líquidos e gasosos, que contaminam o solo, água, ar, plantas,
animais e pessoas.
 
A legislação brasileira é rigorosa em relação à poluição industrial. Porém, não há fiscalização para o setor pecuário: a aplicação das leis ambientais tornaria praticamente inviável a atividade. Se o governo brasileiro retirasse incentivos e subsídios, cobrasse impostos integrais e obrigasse a internalizar os custos energéticos, o uso de recursos naturais e os danos ambientais, cada quilo de alcatra custaria uma pequena fortuna!

Você sabia que...
  • A pecuária foi a principal causa da devastação da mata atlântica, da caatinga, do cerrado e agora da Amazônia?
  • Que 1 Kg de carne bovina é responsável por 10 mil metros de floresta desmatada?e responsável pelo consumo de 15 mil litros de água doce limpa?
  • Que o gado é responsável por 18% da emissão de gases capazes de destruir a camada de ozônio acelerando o aquecimento global?
  • Enquanto pessoas passam necessidade, 70% da soja plantada no Brasil é para alimentação de gado?
  • Que bilhões de animais são mortos de maneira cruel por dia por nossa vontade?
  • Que a quantidade de proteína necessária ao corpo por dia é facilmente adquirida nas leguminosas, castanhas e frutas?
  • Que para cada Kg de carne são necessários 15.000 litros de água e para cada Kg de cereal 1.300 litros?
Apocalipse Marinho

A vida nos oceanos está por um triz. Durante séculos, o homem pescou toneladas anuais de peixes e outros frutos do mar e os estoques iam se recompondo naturalmente. Desde os anos 1950, o cenário mudou de figura com o uso de técnicas novas e "eficientes". A pesca comercial se incrementou tecnologicamente e resultou no "overfishing" - pesca em excesso, em inglês -, e está devastando os oceanos num ritmo que promete colapso total em menos de quatro décadas. É bom lembrar que, como sempre, a atividade humana predatória nos oceanos provoca danos que afetam todas as pessoas, mas só "beneficia" poucos privilegiados endinheirados. Veja por quê:
  1. Os principais mercados consumidores de pescados são Japão e Estados Unidos. Para se ter uma idéia, no Japão, um único exemplar de atum-azul chega a valer mais de 100 mil reais! E os últimos remanescentes dessa espécie magnífica são comercializados diariamente, às centenas, naquele país.
  2. Espécies marinhas que, há menos de 30 anos, sequer eram conhecidas pela ciência, têm sido exploradas exaustivamente "graças" às inovações tecnológicas da indústria pesqueira. São peixes que habitam oceanos profundos, a mais de mil metros sob a superfície, e sobre os quais ainda pouco se sabe, a não ser que correm risco iminente de extinção. Peixes como o olho-de-vidro laranja - espécie que vive até 150 anos
    sob condições naturais! -, comuns em regiões abissais da Austrália e Nova Zelândia, são arrastados aos milhões por redes de profundidade e chegam aos consumidores de todo o mundo com preço elevado. Como são pequeninos, pode-se devorar em poucas dentadas um lindo animal de 80 ou 100 anos...
  3. As fazendas de aqüicultura que mais devastam o meio ambiente marinho e os biomas litorâneos são as de salmão e camarão. Ora, quem consome salmão e camarão? Como produzir 1 kg de salmão exige 6,2 kg de pescado, para alimentar esses peixes caros as fazendas processam milhares de toneladas diárias de peixes de pouco valor comercial, como a sardinha. Enquanto isso, as populações desses peixinhos, que são um elo importante da cadeia alimentar marinha, vêm declinando com velocidade assustadora. Mais de um terço das capturas pesqueiras atuais vira comida ração para animais de cativeiro, e a proporção só tende a aumentar com a formação de novas fazendas.
  • Até 2006, 29% das espécies de peixes e frutos do mar entraram em colapso. Isto é, o rendimento da pesca caiu mais de 90%.
  • Se o consumo não diminuir, a população de praticamente todos os peixes e frutos do mar entrará em colapso por volta de 2048
Basta perguntar para um pescador antigo qual é a situação dos peixes hoje em relação a antigamente.

O QUE VOCÊ PODE FAZER? 

No plano pessoal, mudar os padrões de consumo. A dieta carnívora, sobretudo em larga escala, é comprovadamente insustentável. Ao eliminar o consumo de carne você diminui, ao mesmo tempo, o desperdício de água, de proteínas vegetais, o desmatamento, a desertificação, a extinção de espécies, a destruição de habitats e até de biomas inteiros. De quebra, ainda ajuda a diminuir o rebanho bovino e sua emissão de metano - poderoso agente do efeito estufa.

Tomado isoladamente, o gesto individual não tem resultado objetivo mensurável, mas quando é uma postura adotada por grande número de pessoas, influi objetivamente nas condições do planeta.

FONTES DA PESQUISA
No Brasil: Cetesb; IBGE; Instituto Akatu; Instituto Cepa; Instituto Nina Rosa; Instituto Peabiru; Instituto de Pesquisas Amazônicas (INPA); Instituto Socioambiental; ONG Repórter Brasil; Relatório Unesco para o Fórum Mundial da Água; Sabesp; WWF Brasil. No exterior: Conservation International; David Suzuki Foundation; Environmental Justice Foundation; FAO/ONU - Food and Agriculture Organization of the United Nations; Federação do Salmão-do-Atlântico; Greenpeace; Oxfam International; Relatório Our Food Our World - The Realities of an Animal-Based Diet, da Earth Save Foundation;Worldwatch Institute. Documentário: Deep Trouble, da BBC. Livros: Amigo Animal: Reflexões interdisciplinares sobre educação e meio ambiente, ética, dieta, saúde, paradigmas, de Paula Brügger; Ecologia: Cuidar da Vida e da Integridade da Criação, do CESEP;  Fundamentos do Vegetarianismo, de Marly Winckler. Artigo: Você já comeu a Amazônia hoje?, de João Meireles Filho.
Dia 25 de Novembro - Dia Mundial Sem Carne

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