sexta-feira

10% dos brasileiros já são vegetarianos

 Desejo por comida saudável alimenta negócios

Segundo o Ibope, 10% dos brasileiros já são vegetarianos; crescem as oportunidades de empreender no setor

SÃO PAULO - Após passar anos no exterior e comandar um restaurante natural de sucesso em São Paulo, a chef Leila D, 44 anos, decidiu inovar. Vegetariana e adepta da alimentação orgânica, criou em 2009 um serviço de entrega de pratos congelados saudáveis e baseados na sua filosofia alimentar. O cliente confere o cardápio pelo blog Galleria Orgânica e liga para encomendar a comida, que é entregue por um motoboy. "Se a pessoa quiser, posso fazer menus especiais e mandar em quantidade para vários dias", conta Leila. 

Ela também encontrou outro nicho e está realizando o serviço de catering para empresas interessadas em alimentar seus funcionários de forma mais saudável. Os resultados têm sidos bons: em 2010, ela aumentou seu faturamento em 20%. 

O sucesso da empreitada de Leila é resultado da crescente preocupação com saúde e qualidade de vida dos brasileiros, o que tem sido opção investimento para empreendedores de todos os tamanhos. Estudo da empresa de pesquisa Euromonitor prevê que o mercado de alimentos e bebidas ligados a saúde e ao bem-estar movimente, no Brasil, R$ 33 bilhões em três anos ante R$ 23 bilhões em 2009. 

Para calcular essas cifras, a companhia considerou vendas no varejo de alimentos naturais, orgânicos, fortificados, diet, light e destinados a alérgicos e intolerantes à alguma substância. "O ambiente é propício para esse negócio, pois existe uma valorização qualidade de vida na nossa sociedade. Até marcas de fast food já incorporaram alimentos saudáveis para se adequar a tendência", diz o consultor de marketing do Sebrae de São Paulo, João Abdalla Neto.

Culpa. Para o diretor de Desenvolvimento de Negócios em foodservice da consultoria GS&MD, Ricardo Daumas, a questão tem a ver com uma "culpa moderna". "Nós comemos mal, trabalhamos muito e nos exercitamos pouco. As pessoas estão tomando consciência disso, por isso, é normal que procurem opções mais saudáveis", comenta Daumas. E com essa tendência em evidência, surgem opções para quem quer investir no ramo.

"O potencial de negócios é grande e pouco explorado, pois além dos interessados em qualidade de vida, existem nichos de produtos orgânicos e para vegetarianos, veganos, alérgicos e intolerantes", diz Lúcia Cristina de Buone, gerente de Negócios da Francal Feiras, que promove a Natural Tech, um evento de alimentação saudável para atacadistas e curiosos. 

E os nichos podem ser grandes: pesquisa do Ibope, realizada entre agosto de 2009 e julho de 2010 com 18.884 pessoas, comparando os hábitos de consumo de homens e mulheres, mostrou que cerca de 10% dos consultados eram vegetarianos.
Em 2007, quatro jovens perceberam que havia mercado no Brasil para uma rede de fast food de saladas. Na ocasião trouxeram para o País, a franquia Salad Creations dos Estados Unidos e tiveram expansão rápida. Atualmente, a rede já conta com 20 unidades espalhadas pelo território nacional _ só perde em número para os EUA. 

"Procuramos oferecer opções mais saudáveis para quem come fora de casa, com bastante variedade e liberdade de montar os pratos", diz Alexandre Botelho, um dos sócios da franquia no Brasil. Segundo ele, para se abrir uma loja da marca é necessário investir R$ 250 mil.

O Quintal dos Orgânicos, um restaurante e mercado especializado em produtos orgânicos, é outra novidade no ramo. Aberto há seis meses, vende cerca de mil produtos, de alimentos a cosméticos, e serve "comida caseira" natural. 

No menu, além das verduras e saladas, estão as carnes certificadas - que fazem a alegria de quem não quer mudar a dieta alimentar. "Aqui, provamos que é possível comprar produtos e se alimentar bem de forma saudável", diz o gerente do estabelecimento, Nardi Davidsohn.

 Fonte Estadão

 

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