quinta-feira

Vegetarianos têm maior longevidade do que carnívoros, aponta estudo

A dieta vegetariana reduz o risco de doenças crônicas comparada à alimentação com carne

 A Ciência já provou que o consumo de carne vermelha em excesso está relacionado a um maior risco de doenças cardíacas. Se você faz parte do time que não abre mão do consumo diário de carnes, mais uma pesquisa chega para fazer o alerta à sua saúde. Um estudo publicado dia 3 de junho no JAMA Internal Medicine confirmou a relação entre longevidade e a dieta vegetariana. Algumas evidências já sugeriam que o consumo de carne poderia aumentar o risco de mortalidade, mas a ligação ainda não tinha sido confirmada. 

A pesquisa envolveu a análise de 73.308 homens e mulheres que foram separadas em cinco grupos de acordo com o consumo alimentar: não vegetarianos, semi-vegetarianos, vegetarianos que consomem peixes e frutos do mar, ovo-lacto-vegetarianos (que consomem produtos derivados do leite e ovos) e veganos (que excluem todos os produtos de origem animal). Os participantes do estudo foram acompanhados por seis anos, e durante esse período os especialistas constataram 2.570 mortes entre os voluntários, sendo que os vegetarianos tinham um índice de mortalidade 12% menor do que os carnívoros. 

Os resultados mostraram que a dieta vegetariana, sem gordura animal, está associada ao menor risco de doenças crônicas, como síndrome metabólica, hipertensãodiabetes, doença isquêmica do coração e mortalidade por doenças renais. Nos homens, os resultados foram ainda mais favoráveis. 

O grupo dos vegetarianos era composto por pessoas mais velhas, com maior nível educacional e muitos eram casados. De acordo com os pesquisadores, eles bebiam menos álcool, fumavam menos, se exercitavam mais e eram mais magros do que os carnívoros. 

Um estudo anterior conduzido pelo Cancer Institute, no Reino Unido, mostrou que vegetarianos costumam pesar menos de que quem consome carne e os veganos são ainda mais magros que os vegetarianos. 

Quatro tipos de vegetarianismo 

O vegetarianismo tem ganhado muitos adeptos que buscam através da alimentação evitar o consumo de gordura animal, principalmente da saturada proveniente da carne vermelha, reduzindo assim os riscos de doença do coração, nível de colesterol e triglicérides. Confira a seguir os quatro tipos mais comuns de vegetarianismo:

Dieta semivegetariana

Quem sempre incluiu carnes na dieta pode ter dificuldades para cortar totalmente esse alimento do cardápio. Por isso, muitas pessoas escolhem uma dieta menos restritiva, chamada dieta semivegetariana. "Os indivíduos que seguem essa alimentação limitam a ingestão de carne a, no máximo, três refeições da semana", diz a nutricionista. Com a continuidade no consumo de alimentos de origem animal, mesmo que seja em uma quantidade menor, a maioria das pessoas não precisam de suplementação de vitaminas, proteínas ou minerais. Mas a especialista adverte que, em alguns casos, a suplementação já pode ser aconselhada. "Não podemos pensar de maneira generalizada. Mesmo em uma dieta pouco estritiva como a semivegetariana, alguns indivíduos podem sofrer com a ausência de nutrientes. Por isso, antes de começar uma dieta, é essencial procurar um nutricionista", explica.  
ovos, leite e queijos - Foto: Getty Images

Dieta ovolactovegetariana

As pessoas que aderem a essa dieta excluem da alimentação todos os tipos de carnes de animais, mas continuam ingerindo ovos, leite e seus derivados - iogurte, queijo, requeijão, entre outros. "Por ser uma alimentação mais fácil de seguir no meio social, a dieta ovolacovegetariana tem um grande número de adeptos", diz a nutricionista. O leite e seus derivados são importantes fontes de proteínas, lipídios, cálcio, ferro, potássio, magnésio, zinco e vitamina D. Por isso, quem adere a essa dieta normalmente não necessita de suplementação desses nutrientes. 
alimentos consumidos na dieta vegetariana - Foto: Getty Images

Dieta vegetariana

Comumente associada à palavra vegetal, o nome vegetarianismo na verdade tem origem na palavra latina vegethus, que quer dizer força e vigor. Esse tipo exclui qualquer alimento de origem animal, como ovos, leite e todos os tipos de carne."Essa dieta, se feita da maneira correta, realmente diminui a chances de doenças e traz mais vigor ao corpo", diz a nutricionista.

Um estudo feito por pesquisadores da Cancer Research, no Reino Unido, afirma que a dieta vegetariana ajuda a proteger contra o câncer. Depois de analisar os dados médicos de 52,7 mil pessoas, com idades de 20 a 89 anos, os cientistas concluíram que as pessoas que não ingerem carne têm uma probabilidade significativamente menor de sofrerem com cânceres de diversos tipos do que as pessoas que incluem carne em sua dieta.

Mesmo que o vegetarianismo estrito seja saudável, é preciso tomar cuidado para que alguns nutrientes encontrados na carne não faltem no organismo. Segundo a nutricionista Astrid Pfeiffer, a carne é fonte de todos os tipos de proteínas que o corpo precisa. Nenhum vegetal ou fruta pode substituí-la sozinho. Mas, ao colocar na dieta diferentes tipos de vegetais e frutas, é possível suprir essa ausência. Por isso, é importante não deixar de incluir cereais integrais, leguminosas, legumes, verduras, sementes e castanhas na dieta, já que eles contêm - juntos - todos os aminoácidos essenciais e não essenciais para o corpo. 
mel - Foto: Getty Images

Dieta vegana

Muitas vezes confundidos com os vegetarianos, os veganos também tiram de sua alimentação todos os produtos de origem animal. Mas, além de carne bovina, peixes, aves, ovos e laticínios, eles não consomem mel e gelatina. "Uma pessoa vegana é vegetariana, mas vai além da alimentação, na verdade é um estilo de vida que não utiliza nada de origem animal", explica a nutricionista. Os veganos evitam também produtos de couro, lã, seda e de outros até menos óbvios que também são de origem animal, como óleos e secreções presentes em sabonetes, xampus, cosméticos, detergentes e perfumes. Como é o tipo mais estritivo de vegetarianismo, a dieta vegana precisa de ainda mais atenção a possível falta de nutrientes. 
arroz e feijão - Foto Getty Images

Nutrientes que podem faltar: proteínas

Dois importantes aminoácios encontrados na carne são a metiolina e a lisina. Ao contrário do que muitos acham, a dieta vegetariana também é rica em aminoácidos e contém lisina e metionina. "O que acontece e que costuma causar confusão é que a carne contém os aminoácidos metionina e a lisina.juntos. Já os alimentos de origem vegetal não. Por isso, quem adota a dieta vegetariana precisa combinar alimentos que contenham esses dois aminoácidos ao longo do dia para obter a proteína", explica a nutricionista Astrid Pfeiffer. A metionina, segundo orienta a especialista, é encontrada no grupo dos grãos, como arroz integral, trigo em grão, quinoa, aveia, dentre outros. Já a lisina é encontrada em leguminosas, como o feijão, lentilha, ervilha, soja e grão de bico. 
lentilha - Foto: Getty Images

Nutrientes que podem faltar: ferro

Os vegetarianos podem sofrer um risco maior de deficiência de ferro, já que as principais fontes são a carne vermelha e o fígado . No entanto, eles podem encontrar o mineral nas leguminosas, como feijão, lentilha, ervilha, soja e grão de bico, que podem ferro suprir as necessidades diárias desse de ferro. "Para otimizar a absorção do ferro pelo organismo é recomendado que se ingira também uma fonte de vitamina C, pois ela ajuda na absorção do mineral. Uma boa fonte é a acerola", ensina a nutricionista. 
prato com salada e pílulas de suplemento - Foto Getty Images

Nutrientes que podem faltar: vitamina B12

Essa vitamina, encontrada apenas em alimentos de origem animal, principalmente na carne vermelha, é responsável pela manutenção do funcionamento dos sistemas nervoso e circulatório e da formação de células sanguíneas. "Esse é o único nutriente que os vegetarianos estritos realmente precisam de suplementação, já que não existem fontes que não sejam animais. Já os ovolactovegetarianos podem obter esta vitamina de ovos, leites e derivados", alerta Astrid Pfeiffer. 

domingo

COMO O BOI VIRA BIFE, por Patricia Vieira



1. Monta Natural
É o jeito clássico de fazer filhos: na época de chuvas, a vaca entra no cio e o touro faz o que o touro deve fazer. Cerca de 90% dos bezerros nascem assim.


2. Inseminação artificial
Há ainda a fertilização induzida. Mas como detectar o cio? Para isso, usam-se vacas lésbicas (que recebem hormônio masculino) ou touros que não conseguem fecundar (por causa de cirurgias que entortam o pênis ou “amarram o prepúcio”). Esses animais carregam sacos de tinta e, ao tentar acasalar, mancham a vaca.

3. Fazendo bezerros
Identificado o cio, o veterinário usa uma das mãos para injetar a pipeta com sêmen na vagina da vaca. A outra ele coloca no ânus, para sentir se está injetando no lugar certo. Também é preciso estimular o clitóris para provocar um orgasmo. O líquido liberado no clímax é imprescindível à fecundação.


4. Nascimento
Os bezerrinhos nascem 10 meses depois. Eles serão amamentados e vacinados por 7 meses. Período concluído, as fêmeas voltam a engravidar. E os bezerros começam a engorda.


5. Pasto
Nos próximos dois anos e meio, o boi levará a vida que pediu ao deus bovino. Vai comer, beber, mugir com os amigos e fazer boizinhos. Só tem uma obrigação: engordar normalmente.


6. Confinamento
O abate se aproxima e a engorda é acelerada. Os bois são castrados e, para não perder peso, passam quase 3 meses sem andar. Mas a ração é de primeira: capim, cereais, melaço de cana, vitaminas e sais.


7. Transporte
Para um boi, a morte pesa 450 kg. Ao atingir esse peso, o animal é enviado ao matadouro. A viagem é estressante. O animal urina e sua mais do que o normal e chega a perder até 3% do peso.

8. Banho relax
As primeiras 24 horas no matadouro não são ruins. Para relaxar, recuperar o peso e esvaziar o intestino (o que facilitará a limpeza das tripas), os bois só bebem água e tomam duchas.


9. Exame final
Uma hora antes do abate, os bois são examinados. Quem passar no teste vai para a fila do abate. Os doentes são mortos separadamente. Se a doença for grave, carcaça é incinerada.


10. Corredor da Morte
Normalmente, há curvas para que os animais não saibam o que está acontecendo. E, nas paredes, dispositivos antiempaque dão choques leves ou emitem ruídos. Um banho evita que a sujeira contamine a carne.


11. Tiro certeiro
No boxe de atordoamento, o animal recebe um tiro com pistola de pressão – ou um dardo que perfura o cérebro – e desmaia. A partir daí, para que não corra o risco de acordar, o boi deve ser morto em no máximo 3 minutos.


12. Desmaio
Uma portinhola se abre e o animal cai desacordado numa espécie de esteira. Ele será içado pelas patas para ficar com o pescoço para baixo.


13. Corte certeiro
Primeiro, um corte na pele do pescoço. Depois, é só esticar o braço e chegar à jugular: o boi está oficialmente morto. Durante 3 minutos, seus 20 litros de sangue escorrerão numa canaleta para ser vendidos a fábricas de ração para cães e gatos.


14. Corte e costura
Começa o desmonte do boi. Os chifres são serrados, patas e rabo são cortados, o couro é retirado e o abdômen é aberto para a separação das vísceras. Só então a carcaça é colocada numa câmara de resfriamento para que a carne recupere seu ph normal – o estresse pré-morte libera ácido láctico, que endurece a carne.


15. Bife no prato
Cada brasileiro consome cerca de 26 quilos de carne por ano – 3º maior consumo per capita do mundo, atrás da Argentina e dos EUA.
Vaca sem filho vai para a Bolívia
Quem não engravida vai para o abate. E a carne, considerada mais dura, é vendida a mercados secundários, como Bolívia e Peru.


Boi doente vira vela
Se a doença não for grave, depois do abate a carcaça é enviada para a graxaria, onde será cozida numa panela de pressão gigante. O que sai é um caldo gorduroso, usado para fazer velas, detergentes, explosivos, tintas e pneus.


Utilidades da carcaça
Mucosa do estômago – Coalho e laticínios.
Pêlos do rabo – Pincéis e filtro de ar.
Tripas – Fios cirúrgicos, cordas para raquete e capa de salsicha.
Casco das patas e chifres – Pó para extintor de incêndio e lubrificantes.
Cálculos biliares – Pérolas artificiais.
Couro – Filme fotográfico, cola, gelatina e cápsulas farmacêuticas.

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